Belo Horizonte - Minas Gerais (31) 3292-7257 Segunda - Sexta - 8:00 às 18:00
Nascar

A história da Nascar

A história da Nascar

A partir da década de 1920, com o aumento da popularidade dos carros, as corridas de stock cars começaram a ter uma certa fama entre o grande público dos Estados Unidos. Isso só aumentou depois da Segunda Guerra Mundial, onde, por desejarem esquecer os horrores e as crises que ocorreram nesse período, a população clamava por alternativas de diversão.

Contudo, todas essas competições eram esporádicas e aconteciam em condições precárias, sem regras que ditavam as corridas em geral, as quais mudavam constantemente de um evento para outro. Aconteciam, na maioria das vezes, em Daytona Beach, no estado da Flórida e mesmo com as condições precárias atraiam milhares de espectadores.

Originalmente, os “stock cars” poderiam ser definidos como “carros de estoque”, ou seja, veículos que vieram diretamente da fábrica daquela maneira e que, para competir, não poderiam contar com modificações em busca de maior velocidade e potência. Foi nesse contexto que surgiu a Nascar, a maior organizadora desse tipo de eventos em todo o mundo. Nesse artigo iremos contar mais sobre a história dessa marca, que se apresenta hoje como uma das maiores.

A fundação e os primeiros anos

Acima, foi falado o contexto geral que o Estados Unidos e mais especificamente a Florida vivam em 1948. Diante disso, em uma reunião acontecida no Hotel Streemline, William France e Ed Otto fundaram, nesse mesmo ano e no dia 21 de Fevereiro, a National Association for Stock Car Auto Racing, que ficaria conhecida pela sua sigla Nascar. Os dois fundadores já tinha experiência nesse ramo, visto que em datas anteriores a essa época já haviam organizado eventos que envolviam carros de corridas modificados.

O principal objetivo da associação era criar regras que padronizassem as corridas entre stock cars nos Estados Unidos, uma vez que isso poderia favorecer o crescimento daquele tipo de atividade, além de sua popularidade entre o público em geral que já se interessava pelos eventos mal organizados. A primeira corrida de que se tem notícia inteiramente organizada pela Nascar ocorreu apenas um ano depois, mais precisamente no dia 19 de junho de 1949, no estado de North Carolina (Carolina do Norte).

Esse foi o primeiro ano de competição organizado pela Nascar, ficando conhecido como Strickly Stock e contando com oito etapas. Nos primórdios desse esporte, os circuitos tinha, em sua maioria, uma média de 800 a 1500 metros de comprimento e eram feitos de terra batida, devido aos altos custos de asfaltamento que existiam na época. O primeiro feito inteiramente em asfalto e que possuía mais de 1 milha (aproximadamente 1,6 quilômetros) de comprimento foi o Darlington Raceway.

As primeiras mudanças

As primeiras mudanças mais notáveis nos eventos organizados pela Nascar se deram na década de 1950. Isso se dá pelo fato de que é nesse período que as primeiras modificações são permitidas – até o momento apenas veículos de passeio originais poderiam correr nesses eventos –, as quais eram principalmente atreladas à segurança do piloto, mas também referente a uma maior potência e velocidade do veículo.

Em 1959 o Daytona International SpeedWay abriu as portas, sem saber que viria a se tornar um dos circuitos mais marcantes e importantes da história do automobilismo. Contudo, pelas boas condições do circuito e a maior potência dos veículos, aquilo, incialmente, iria acarretar algumas tragédias.

Entre as mais notáveis, no ano de 1960 houve um enorme acidente em um evento promovido pela Nascar, justamente no Daytona International SpeedWay. Mais da metade dos veículos que participaram daquela prova se envolveram na colisão, onde carros rodaram, bateram uns nos outros e chegaram até a capotar. Depois de uma série de acontecidos parecidos a esses, a Nascar começou a assegurar que os carros dispusessem de mais segurança.

Um exemplo disso é que no ano de 1965 os veículos passaram a ser produzidos especialmente para os eventos e para os pilotos. Isso foi uma escolha bastante acertada, tendo em vista que subiu bastante o nível das competições, os carros ficaram mais seguros, menos tragédias aconteciam e mais pessoas se interessavam. Todos esses fatores contribuíram para a entrada de grandes marcas nesse ramo, o que ia mudar a história da Nascar para sempre. A fim de divulgar os seus carros, as principais montadores de automóveis, como a Ford, Chrysler e Chevrolet fabricavam e patrocinavam as equipes, o que fez com que vários indivíduos passassem a viver inteiramente dessa profissão.

Winston Cup e a consolidação dos circuitos de asfalto

A década de 70 também foi um período de grandes mudanças para os eventos que eram promovidos pela Nascar. A partir do patrocínio que era feito pela empresa de tabaco – que eram as grandes companhias da época – chamada RJR, os eventos passaram a ser mais profissionais. A Nascar separou os pilotos e equipes em divisões, criando a Winston Cup para ser a divisão de elite.

Para exemplificar o aumento do profissionalismo na década de 70, podemos citar  extinção das pequenas pistas – com menos de 1 milha – que tinham o chão de terra batida. Dali em diante, seriam priorizados os circuitos ovais de asfalto. Tudo isso contribuía para um aumento da popularidade dos eventos Nascar, que começariam a ser transmitidos parcialmente pela ABC.

A primeira prova que foi completamente transmitida se deu no ano de 1979, novamente na famosa Daytona International SpeedWay. O mais curioso é que um acontecimento esporádico ocorrido nessa prova gerou um aumento significativo do interesse entre o público em geral: dois pilotos, que haviam se envolvido em um acidente durante o evento, brigaram ao final, justamente na prova que estava sendo transmitida para todo o território dos Estados Unidos.

Ford Thunderbird e a tragédia de 2001

A década de 1980 foi marcada com um lançamento que seria único para os eventos promovidos pela Nascar: um modelo idealizado e fabricado pela companhia automobilística norte americana Ford, chamado de Thunderbird (algo como “o pássaro do trovão”). O modelo era muito a frente de seu tempo e as linhas de aerodinâmica iriam definir as próximas décadas da competição.

Além disso, foi esse modelo o pilotado por um dos maiores de todos os tempos nesse esporte. Uma espécie de Ayrton Senna dos Estados Unidos, Dale Earnhardt ganhou sete títulos da divisão principal da Nascar. Em uma das cenas mais tristes da história do esporte, Dale morreu na última volta de uma corrida, motivado por um traumatismo craniano após bater em um muro quando estava em uma velocidade superior a 250km/h.

Apesar de triste, o acontecimento parece ter tido um efeito curioso no público em geral. Em uma sensação de comoção, mais pessoas se interessavam e se apaixonavam pelo esporte, o que fez com que os patrocínios aumentassem e as transmissões de TV ficassem mais caras.

Nascar como negócio e patrocínios internacionais

Desde a década de 80, a Nascar já era vista como uma marca consolidada e um negócio forte, já que os patrocínios rendiam milhões de dólares e as transmissões de TV não eram nada baratas. Isso se reforçou ainda mais a partir do ano de 1994, quando foi lançado o primeiro jogo de computador baseado nas corridas, o qual ficou intitulado de Nascar Racing.

Além disso, a fim de atrair patrocinadores de outros países, começaram a ser feitas transmissões fora dos Estados Unidos. A medida foi altamente acertada, e rendeu o efeito esperado pelos organizadores da companhia. Ainda motivou a criação de divisões fora do país americano, como o Nascar Canadian Tires Series, no Canadá, e o Nascar Mexico Corona Series, no México.

Toda essa globalização referente ao esporte atraiu ainda mais pilotos a seguirem essa carreira. Dessa forma, novos talentos se apresentaram na divisão principal da Nascar, inclusive alguns de outros países, fazendo crescer a paixão e a torcida pelo esporte também fora dos limites estadunidenses.

Leia mais: a história das 500 milhas de Indianapolis

Como a Nascar funciona atualmente

Nos dias atuais, a Nascar organiza e promove três principais divisões de âmbito nacional, além de dezenas de organizações regionais que ocorre em vários estados americanos. Nenhuma pista em todos os circuitos existentes da Nascar são iguais. Existem aquelas que são ovais, ovais triplas, feitas em circuitos de rua, todas com comprimentos e condições diferentes. Dentre todos os eventos, os mais famosos são: Daytona 500 e Allstate Brickyard 400. As principais divisões são:

  • Sprint Cup: A Sprint Cup é, atualmente, a principal divisão da Nascar, ou seja, conta com as melhores equipes e com os pilotos mais talentosos. É disputado em veículos com motor de tecnologia V8 e potência de 850 HP. A partir do ano de 2004 a Nascar incorporou nessa divisão um conceito visto na grande maioria dos esportes americanos: os playoffs. Basicamente, nos primeiros 26 eventos os pilotos pontuam da maneira tradicional e, ao final delas, os 12 melhores colocados se classificam para outra fase. Esta, por sua vez, conta com 10 eventos onde se define o campeão;
  • Nationwide Series: É muito vista como se fosse uma segunda divisão da Nascar, onde as principais e mais tradicionais equipes colocam seus pilotos mais novos para se desenvolverem e se prepararem para a Sprint Cup. É realizada em automóveis também com motor de tecnologia V8, mas com potência de 800 HP;
  • Camping World Truck Series: É a categoria destinada apenas para carros em modelo picape, disputada em motores V8 de 700 HP. Não possui o sistema de playoffs, sendo disputada em 25 provas anuais;

Além de todos esses eventos, todos os anos a Nascar promove um evento chamado All Star Challenge. Esse nome não é incomum, uma vez que é feito por vários outros esportes americanos, como o basquete – também chamado All Star – e o futebol americano – chamado de Pro Bowl.

O evento não conta ponto para nenhuma divisão, mas é feita com os melhores pilotos do mundo, que são escolhidos pelos seguintes critérios: vencedores desse mesmo evento nos últimos 10 anos, campões da divisão principal, alguns vencedores de provas dos últimos dois anos na divisão principal, um piloto escolhido pelo público e outro, que é elegível através de uma prova com vários que não estariam no All Star pelos critérios anteriores, onde o vencedor participa.

Como prêmio, o All Star Challenge dá para o seu vencedor um valor de 1 milhão de dólares.

Leave a comment